Gerenciar sites de clientes em escala exige pensar na segurança da infraestrutura de forma mais ampla do que simplesmente instalar plugins de segurança ou aplicar senhas fortes.

Quando você hospeda dezenas ou centenas de sites WordPress, a arquitetura de hospedagem se torna um fator crítico de segurança, capaz de proteger todo o seu portfólio ou colocá-lo em risco.

A hospedagem compartilhada tradicional mantém os custos baixos, mas também significa que os sites compartilham o mesmo sistema de arquivos, espaço de processos e stack de rede. Com isso, quando um site em um servidor compartilhado é comprometido, o malware pode se espalhar para outros sites.

Os riscos ocultos de segurança em ambientes de hospedagem compartilhada

Cada site em um servidor de hospedagem compartilhada utiliza uma parte da CPU, da memória RAM e do armazenamento do servidor. Do ponto de vista dos provedores, isso faz sentido financeiramente e ajuda a manter os preços acessíveis para os clientes.

No entanto, sob a ótica da segurança, surgem vulnerabilidades que aumentam conforme cresce o número de sites que você gerencia. O problema central está no compartilhamento de recursos. Permissões de arquivos e isolamento de usuários oferecem alguma proteção, mas são controles em nível de software, que podem ser explorados. Afinal, ataques de phishing, malware e ransomware continuam sendo as principais ameaças para qualquer site.

Entender os conceitos de “propagação lateral” e “contaminação cruzada” ajuda a esclarecer esses riscos:

  • Propagação lateral refere-se ao movimento de malware de um sistema comprometido para outros sistemas dentro da mesma rede ou ambiente.
  • Contaminação cruzada ocorre quando um problema de segurança que afeta um site se espalha para outros sites que compartilham a mesma infraestrutura.

Para quem gerencia portfólios de clientes, economizar usando hospedagem compartilhada pode parecer atraente. Porém, um único plugin desatualizado ou uma senha fraca de um cliente pode representar uma ameaça para toda a sua estrutura de hospedagem.

Quando você considera o tempo gasto monitorando ameaças e recuperando-se de incidentes de segurança em vários sites, o custo-benefício diminui drasticamente.

Como o malware se espalha entre sites em servidores compartilhados

A natureza exata de qualquer contaminação entre sites depende de como o provedor de hospedagem implementa a separação de usuários e as permissões de arquivos. Mesmo assim, o problema fundamental permanece consistente na maioria das configurações de hospedagem compartilhada: esses ambientes criam superfícies de ataque em que contas comprometidas podem acessar os arquivos de outros usuários por meio de permissões mal configuradas ou scripts vulneráveis.

Os principais vetores de infecção entre sites incluem:

  • Scripts PHP que leem arquivos de outros diretórios de usuários quando as permissões estão configuradas incorretamente.
  • Diretórios temporários compartilhados que permitem a propagação de malware entre sites.
  • Vulnerabilidades em nível de servidor que possibilitam que processos de um site afetem outros.
  • Contas de usuários comprometidas que obtêm acesso a diretórios vizinhos por meio de pools de recursos compartilhados.

O cliente da Kinsta, Bookswarm, identificou esse problema ao gerenciar centenas de sites de clientes em uma plataforma de hospedagem compartilhada. Eles perceberam que o ambiente misto de servidores criava dores de cabeça de segurança sempre que um site individual era comprometido. A arquitetura significava que “um ataque a um era um ataque a todos”.

Isso também gera uma sobrecarga operacional, pois é necessário monitoramento constante para identificar invasões antes que elas se espalhem. Se um site apresenta sinais de infecção, você precisa verificar todos os outros sites hospedados no mesmo servidor. A resposta a incidentes deixa de ser uma correção isolada e passa a envolver todo o portfólio.

O problema da contaminação por blacklist

Os endereços IP compartilhados criam outra camada de risco na hospedagem compartilhada tradicional. Quando vários sites compartilham o mesmo IP, eles também compartilham a mesma reputação aos olhos de provedores de e-mail, mecanismos de pesquisa e serviços de segurança.

Como uma única invasão pode levar o endereço IP inteiro a ser incluído em listas de bloqueio, todos os sites associados a esse IP sofrem uma série de consequências em cascata:

  • A entregabilidade de e-mails cai em todo o portfólio quando um site comprometido aciona filtros de spam como o Spamhaus.
  • Mecanismos de busca sinalizam o IP compartilhado como suspeito, prejudicando o posicionamento de todos os sites associados.
  • Serviços de segurança e firewalls bloqueiam solicitações vindas do IP, quebrando funcionalidades de sites que não têm relação com a invasão original.
  • Sites de clientes perdem indicadores de confiança quando ferramentas de segurança associam o IP compartilhado a atividades maliciosas.

O processo de recuperação após um bloqueio de IP exige um esforço coordenado com o provedor de hospedagem. É preciso identificar qual site causou o problema, corrigir a falha e solicitar a remoção do IP de diversas listas de bloqueio. Durante esse período, todos os sites que utilizam o IP compartilhado continuam sofrendo as consequências.

Enquanto isso, você precisa explicar aos clientes por que o e-mail parou de funcionar ou por que o site deles foi sinalizado, mesmo tendo seguido boas práticas de segurança no WordPress. A causa raiz está em decisões de infraestrutura sobre as quais os proprietários individuais dos sites não têm controle. Todo esse trabalho contínuo consome tempo que poderia ser dedicado ao desenvolvimento e ao atendimento aos clientes.

Isolamento em nível de contêiner para hospedagem para WordPress

O isolamento de sites resolve muitos dos problemas fundamentais da hospedagem compartilhada. Por exemplo, a Kinsta executa cada site em seu próprio contêiner isolado, com recursos dedicados. Isso significa que cada site WordPress recebe um contêiner próprio que inclui tudo o que é necessário para funcionar: Linux, NGINX, PHP e MySQL.

O isolamento ocorre no nível do sistema operacional por meio de dois mecanismos principais:

  • Os namespaces fornecem a cada contêiner sua própria visão dos recursos do sistema. Um processo em execução em um contêiner não consegue ver nem interagir com processos de outro contêiner.
  • Control groups (“cgroups”) aplicam limites de recursos e garantem que cada contêiner tenha acesso à sua alocação dedicada de CPU e RAM.

Além disso, os threads PHP do seu site WordPress não podem ver ou interagir com processos de outros sites. Essa separação no nível do kernel evita cenários em que o processo comprometido de um site tenta acessar recursos pertencentes a outros sites.

As stacks de rede também operam de forma independente dentro de cada contêiner. Cada site possui sua própria interface de rede e gerenciamento de IP. Esse isolamento se estende por toda a stack e elimina o problema de “vizinhos barulhentos” comum na hospedagem compartilhada.

Quando um site enfrenta um pico de tráfego ou executa operações que consomem muitos recursos, apenas o contêiner desse site é afetado. A alocação dedicada de recursos garante que os outros sites continuem operando com sua capacidade total, independentemente do que aconteça em outras partes da infraestrutura.

Como o isolamento por contêiner evita a propagação lateral de malware

Quando um site é comprometido em um ambiente com contêineres, o malware permanece confinado dentro desse contêiner. Essa separação impede que processos comprometidos acessem outros contêineres por meio de vários mecanismos:

  • Os sistemas de arquivos permanecem isolados, impedindo que o malware se espalhe por diretórios compartilhados ou arquivos temporários.
  • Os namespaces de processos impedem que códigos maliciosos examinem ou interajam com processos de outros contêineres.
  • O isolamento de rede limita a capacidade de sites comprometidos de escanear ou atacar sites vizinhos.
  • Os espaços de memória permanecem totalmente separados, impedindo que ataques de buffer overflow atravessem os limites entre contêineres.

Se o site estiver hospedado na Kinsta, nossos sistemas de monitoramento podem detectar imediatamente o contêiner comprometido e agir, enquanto os outros sites do seu portfólio continuam funcionando normalmente.

Verificando isolamento real vs promessas de marketing

Nem todos os provedores de hospedagem implementam o isolamento por contêiner da mesma forma. Alguns utilizam o termo “isolado” para descrever apenas limites flexíveis de uso de recursos, enquanto ainda executam vários sites em ambientes compartilhados. Entender o que caracteriza um isolamento real em nível de contêiner ajuda a avaliar suas opções de hospedagem e a evitar riscos de segurança associados a promessas enganosas.

O verdadeiro isolamento de contêiner significa que cada site é executado em seu próprio namespace de sistema operacional com recursos dedicados que não podem ser acessados por outros sites. Se você estiver procurando um novo provedor de hospedagem, vale observar alguns pontos-chave:

  • Cada site recebe seu próprio contêiner, com alocações dedicadas de CPU e RAM que outros sites não conseguem acessar?
  • Os sistemas de arquivos são completamente separados no nível do kernel por meio de namespaces, e não apenas por permissões em nível de usuário?
  • O que acontece com os outros sites quando um contêiner é comprometido ou sofre um pico de tráfego?
  • Qual tecnologia de contêiner o provedor utiliza, como LXC, LXD ou Docker, e como ela aplica o isolamento?
  • O provedor consegue fornecer documentação técnica sobre seus mecanismos de isolamento e arquitetura?

A diferença entre limites flexíveis e isolamento rígido é crucial tanto para a segurança quanto para o desempenho. Limites flexíveis podem restringir o uso de CPU de um site, mas ainda operam em um ambiente compartilhado, no qual processos de um site podem interagir com outros. Já o isolamento rígido, com recursos dedicados, garante que cada site opere em um ambiente totalmente separado, no qual sites vizinhos não conseguem acessar seus recursos nem ser impactados por suas atividades.

Métodos técnicos de verificação

Buscar especificações técnicas que detalhem a tecnologia de contêiner utilizada ajuda a entender o nível de conhecimento do provedor sobre sua própria arquitetura. Provedores que utilizam LXC, LXD, Docker ou tecnologias semelhantes devem ser capazes de descrever claramente os mecanismos de isolamento que implementam.

As certificações de conformidade, como SOC 2 Tipo II e ISO 27001, indicam que as práticas de segurança foram auditadas por partes independentes. Essas certificações exigem controles de segurança documentados e testes regulares, o que oferece mais garantia do que apenas as declarações de marketing. A Kinsta mantém as duas certificações e passa por auditorias regulares para verificar se os mecanismos de isolamento funcionam conforme anunciado.

O Kinsta Trust Center mostra diversos controles de conformidade, selos de confiança e outros recursos.
Kinsta Trust Center.

Se você puder testar o provedor durante um período de avaliação, também é possível verificar como o isolamento funciona na prática, por exemplo, monitorando o consumo de recursos em vários sites no mesmo servidor ou observando o comportamento durante operações intensivas de CPU em um site específico.

Na Kinsta, esse tipo de validação prática é possível durante o primeiro mês, sem nenhum custo.

O que o isolamento de sites significa para sua estratégia de hospedagem

Migrar da hospedagem compartilhada para uma arquitetura baseada em contêineres isolados pode transformar positivamente a postura de segurança de todo o seu portfólio WordPress, além de mudar a forma como você aborda o gerenciamento de infraestrutura em escala.

Em ambientes de hospedagem compartilhada com múltiplos sites de clientes, a probabilidade de pelo menos um site sofrer um incidente de segurança se aproxima da certeza. A questão central passa a ser se esse incidente ficará restrito a um único site ou se criará problemas em cascata em todo o portfólio.

Para agências e equipes que gerenciam muitos sites WordPress, a hospedagem é, em última análise, uma decisão de risco em nível de portfólio. Se você procura uma infraestrutura projetada especificamente para gerenciar sites em escala, a Kinsta oferece soluções sob medida para agências e ambientes WordPress de alto volume.

Joel Olawanle Kinsta

Joel é um desenvolvedor Frontend que trabalha na Kinsta como Editor Técnico. Ele é um professor apaixonado com amor pelo código aberto e já escreveu mais de 200 artigos técnicos, principalmente sobre JavaScript e seus frameworks.